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Brasil dá salto na tecnologia: Novo laboratório de extração de terras raras abre as portas em Minas Gerais

Brasil dá salto na tecnologia: Novo laboratório de extração de terras raras abre as portas em Minas Gerais

O Brasil deu um passo significativo rumo à independência tecnológica com a inauguração do primeiro laboratório dedicado à extração e refino de terras raras no país. A unidade, localizada em Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais, marca o início das operações da mineradora australiana Meteoric no Projeto Caldeira.

Esta nova planta piloto é um marco importante para o desenvolvimento de tecnologias limpas e para a cadeia produtiva de equipamentos de alta tecnologia no Brasil. A expectativa é que o empreendimento impulsione a pesquisa e a produção nacional desses minerais estratégicos.

O investimento de US$ 1,5 milhão na estrutura representa um compromisso com a inovação e a exploração sustentável de recursos minerais. A liberação para funcionamento, conforme noticiado pelo G1, é a primeira licença ambiental concedida em Minas Gerais para uma planta piloto de extração de terras raras.

Terras raras: O segredo por trás da tecnologia moderna

As terras raras, um grupo de 17 elementos químicos, são cruciais para a fabricação de uma vasta gama de produtos essenciais para o dia a dia e para o futuro. Elas são componentes vitais em telas de smartphones e televisores, equipamentos médicos de ponta, computadores e, de forma cada vez mais relevante, nos **ímãs permanentes** utilizados em motores de veículos elétricos e em turbinas de energia eólica.

A demanda global por esses minerais tem crescido exponencialmente, impulsionada pela transição energética e pela digitalização da sociedade. A produção nacional de terras raras pode reduzir a dependência de outros países e fortalecer a economia brasileira.

Capacidade e desafios da planta piloto

A unidade recém-inaugurada possui uma capacidade de processamento anual de até 500 quilos de carbonato misto de terras raras, que é um concentrado inicial obtido a partir do minério. Para comparação, a futura mina do Projeto Caldeira, quando em plena operação, tem a expectativa de produzir 18 mil toneladas anuais.

No dia a dia, a planta processa cerca de 600 quilos de argila para gerar aproximadamente 2 quilos de carbonato misto, sendo que 53% desse material são óxidos de terras raras. Todo o insumo utilizado nesta fase provém de amostras coletadas nas áreas de pesquisa da empresa.

Monitoramento de segurança e licenciamento em andamento

Um ponto de atenção na extração de terras raras é a potencial presença de elementos radioativos, como urânio e tório. Por isso, o laboratório opera sob a supervisão da **Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN)**.

Testes preliminares indicaram baixos níveis de radioatividade, mas o monitoramento contínuo será mantido durante toda a fase piloto. Enquanto a planta piloto já opera, o licenciamento ambiental das minas em Caldas e Poços de Caldas ainda está em análise pelo Copam, que adiou a decisão para obter mais informações e considerar questionamentos levantados pelo Ministério Público Federal sobre impactos ambientais e riscos às comunidades.

A região de Poços de Caldas, conhecida como Planalto ou Cratera de Poços de Caldas, é reconhecida por abrigar uma das maiores reservas de terras raras do mundo, com estimativas geológicas apontando para até 300 milhões de toneladas em uma área de cerca de 800 km², que abrange municípios mineiros e paulistas.

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