O Passado dos Gatos na Europa Foi Reesrito por DNA
A história da chegada dos gatos domésticos à Europa, antes associada aos primeiros agricultores do Oriente Próximo, acaba de ser completamente reformulada graças a um estudo inovador. Análises de DNA nuclear, mais precisas para rastrear linhagens, revelaram que os ancestrais dos gatos domésticos europeus não vieram das aldeias neolíticas, mas sim de populações do norte da África.
Essa nova compreensão, baseada em vestígios de 97 sítios arqueológicos, aponta para uma chegada mais tardia e por rotas comerciais bem diferentes das imaginadas. O estudo, liderado pelo paleogeneticista Claudio Ottoni da Universidade de Roma Tor Vergata, detalha como redes de comércio e a influência do Império Romano foram cruciais para a disseminação dos felinos pelo continente.
A arqueozoologista Bea De Cupere, do Royal Belgian Institute of Natural Sciences, resume a mudança de paradigma: “Temos que reescrever a narrativa clássica. Não foram os primeiros agricultores do Oriente Próximo que trouxeram gatos para a Europa, mas sim redes de comércio muito posteriores.” Conforme divulgado pela Reuters, a pesquisa redefine nossa compreensão sobre a domesticação e a expansão desses animais.
A Influência do Egito e a Jornada pelo Mediterrâneo
O Egito faraônico, com sua veneração aos gatos e a associação com a deusa Bastet, desempenhou um papel fundamental na aproximação entre humanos e felinos. Essa relação simbólica e religiosa precedeu a chegada dos gatos à Europa, mas foi o Mediterrâneo que acelerou sua expansão.
Navios, especialmente os graneleiros que transportavam grãos, tornaram-se verdadeiros vetores para os gatos. Esses embarcações atraíam ratos, e os gatos eram excelentes caçadores, garantindo o controle de pragas. Além de sua utilidade prática, o valor simbólico que já possuíam no Egito também contribuiu para que fossem levados a bordo.
A Primeira Onda Migratória e a Chegada Romana
A pesquisa aponta para uma primeira onda migratória significativa há cerca de 2.200 anos, quando gatos selvagens do noroeste da África foram levados para a Sardenha. Essa linhagem, no entanto, não está diretamente ligada aos gatos domésticos modernos que conhecemos hoje.
A chegada dos gatos domésticos à Europa ocorreu em uma segunda onda migratória, distinta e posterior, associada ao período imperial romano. Vestígios encontrados em antigos acampamentos militares romanos confirmam que o Exército Romano foi um agente importante na disseminação dos gatos por todo o continente, levando-os a fortes, portos e entrepostos comerciais.
Múltiplos Centros de Domesticação e uma História em Construção
O estudo sugere que a domesticação dos gatos pode não ter tido um único ponto de origem, mas sim múltiplos núcleos, especialmente no norte da África. A combinação de fatores, como rituais religiosos, a intensidade do comércio e necessidades práticas de controle de pragas, foi essencial para o sucesso extraordinário dos gatos em se espalhar pelo mundo.
A história dos gatos domésticos na Europa é, portanto, mais complexa do que se pensava. Não se trata de uma simples transição de aldeias neolíticas, mas sim de um processo dinâmico impulsionado por rotas marítimas, a cultura romana e a profunda relação entre humanos e felinos, uma história que continua a ser desvendada.

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